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BALAS PERDIDAS EM ALERTA! Salvador e RMS registram recorde de vítimas em agosto

Quatro pessoas foram atingidas por disparos sem envolvimento direto nos confrontos; ao menos 82 tiroteios deixaram 60 mortos e 15 feridos na região
BALAS PERDIDAS EM ALERTA! Salvador e RMS registram recorde de vítimas em agosto

Salvador e cidades da Região Metropolitana registraram um dos períodos mais preocupantes de violência armada dos últimos meses. Em agosto de 2026, foram contabilizados pelo menos 82 tiroteios, que deixaram 75 pessoas baleadas — sendo 60 mortos e 15 feridos.

O mês também registrou o maior número de vítimas de balas perdidas em quase um ano. Quatro pessoas foram atingidas por disparos durante ocorrências de violência armada, mas todas sobreviveram.

O levantamento aponta que o último mês com o mesmo número de vítimas havia sido setembro de 2025.

IDOSO FOI ATINGIDO A CAMINHO DO TRABALHO

Um dos casos aconteceu em 8 de agosto, no bairro da Saramandaia, em Salvador.

Um homem de 66 anos, conhecido como Zé Carlos, foi atingido na perna enquanto saía de casa para trabalhar. O disparo ocorreu durante uma perseguição seguida de tiroteio.

O episódio chamou atenção para o risco enfrentado por pessoas que não participam dos confrontos, mas acabam expostas aos disparos durante ações violentas nas ruas.

PERSEGUIÇÕES CONCENTRARAM GRANDE PARTE DOS TIROTEIOS

Em agosto, foram registrados 12 tiroteios durante perseguições na região.

Desse total, 11 ocorreram durante ações ou operações policiais, o equivalente a aproximadamente 92% dos casos.

Segundo o Instituto Fogo Cruzado, esse tipo de ocorrência pode ampliar o risco para moradores que vivem ou circulam nas áreas onde os confrontos acontecem.

Para Tailane Muniz, coordenadora regional do Instituto Fogo Cruzado na Bahia, os números mostram que os efeitos da violência armada ultrapassam os envolvidos diretamente nos conflitos.

A especialista destacou que uma pessoa ser baleada enquanto seguia para o trabalho demonstra como os tiroteios podem interferir na rotina da população.

SALVADOR CONCENTROU A MAIOR PARTE DOS CASOS

Entre os municípios monitorados, Salvador concentrou a maior quantidade de ocorrências.

Confira os números registrados em agosto:

  • Salvador: 65 tiroteios, 47 mortos e 10 feridos;
  • Lauro de Freitas: 4 tiroteios e 4 mortos;
  • Simões Filho: 4 tiroteios, 6 mortos e 1 ferido;
  • Camaçari: 3 tiroteios, 1 morto e 1 ferido;
  • Candeias: 2 tiroteios e 2 feridos;
  • Dias D’Ávila: 2 tiroteios, 1 morto e 1 ferido;
  • São Francisco do Conde: 1 tiroteio e 1 morto;
  • São Sebastião do Passé: 1 tiroteio, sem vítimas.

BAIRROS MAIS AFETADOS EM SALVADOR

Dentro da capital baiana, alguns bairros concentraram um número maior de ocorrências.

Os destaques foram:

  • Jardim Nova Esperança: 4 tiroteios e 4 mortos;
  • Mata Escura: 4 tiroteios e 2 mortos;
  • Paripe: 4 tiroteios e 3 mortos;
  • São Cristóvão: 4 tiroteios e 2 mortos;
  • Areia Branca: 3 tiroteios e 1 morto;
  • IAPI: 3 tiroteios e 1 morto;
  • São Marcos: 3 tiroteios e 1 morto.

Os números mostram que a violência armada atingiu diferentes áreas da capital, com ocorrências distribuídas por bairros de diferentes regiões.

FEMINICÍDIO TAMBÉM ENTROU NO LEVANTAMENTO

Além dos tiroteios, agosto também registrou um feminicídio e uma tentativa de feminicídio na região.

No dia 7 de agosto, a professora Camila Fernanda de Souza foi morta a tiros dentro do apartamento onde morava, no bairro do Doron, em Salvador.

Segundo as informações do levantamento, o autor dos disparos mantinha um relacionamento com a vítima e, após o crime, também tentou tirar a própria vida.

VIOLÊNCIA ATINGE QUEM ESTÁ FORA DOS CONFRONTOS

Os dados de agosto reforçam uma preocupação relacionada aos chamados “danos colaterais” da violência armada: pessoas que não participam dos conflitos podem ser atingidas enquanto trabalham, estudam ou simplesmente circulam pelas ruas.

O caso do homem baleado na Saramandaia é um exemplo desse risco. Ele foi atingido durante uma ocorrência que envolvia uma perseguição e não era apontado como participante do confronto.

Para o Instituto Fogo Cruzado, os números levantam a necessidade de discutir estratégias capazes de reduzir a exposição da população aos tiroteios, especialmente durante perseguições e operações policiais.

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