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Política

TSE AVANÇA EM JULGAMENTO SOBRE NOSSA SENHORA! Corte tem 3 votos pela retirada de posts ligados a Flávio Bolsonaro

Sessão virtual analisa decisão de André Mendonça que determinou remoção de publicações consideradas falsas; julgamento segue aberto e já registra divergência parcial

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) avançou nesta quarta-feira (30) no julgamento que analisa a decisão do ministro André Mendonça sobre publicações nas redes sociais que associam o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) a uma suposta iniciativa para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.

Até a atualização mais recente, o julgamento registrava três votos pela manutenção da decisão de retirada das publicações e um voto parcialmente divergente.

O julgamento ocorre em plenário virtual e continua aberto para os demais ministros apresentarem seus votos.

O caso ganhou grande repercussão durante a campanha eleitoral de 2026 porque envolve, ao mesmo tempo, desinformação, liberdade de expressão, propaganda eleitoral e conteúdo religioso.

A discussão começou depois que passaram a circular nas redes sociais afirmações atribuindo a Flávio Bolsonaro ou a pessoas ligadas a ele uma suposta intenção de retirar Nossa Senhora Aparecida da condição de Padroeira do Brasil.

Flávio Bolsonaro negou essa intenção e recorreu à Justiça Eleitoral.

COMO O CASO CHEGOU AO TSE

A controvérsia começou a ganhar força depois de uma publicação feita pelo humorista Antonio Tabet na rede social X.

O conteúdo não apresentava, de forma direta, um projeto de lei assinado por Flávio Bolsonaro, mas passou a ser relacionado ao debate que circulava nas redes sobre a posição do candidato em relação ao título religioso.

A partir da reclamação apresentada pela campanha, o ministro André Mendonça determinou a retirada de uma publicação e de conteúdos considerados semelhantes.

A decisão passou a atingir também outras postagens que reproduzissem a mesma informação.

Segundo a decisão analisada pelo TSE, o objetivo era impedir a circulação de uma informação considerada falsa sobre uma suposta proposta atribuída ao candidato.

A determinação estabeleceu que plataformas deveriam retirar publicações que apresentassem como fato a afirmação de que Flávio Bolsonaro ou sua família teriam proposto, articulado, apoiado ou pretendido promover a retirada do título de Padroeira do Brasil.

O número de publicações atingidas pela ordem chegou a mais de mil posts, segundo informações divulgadas durante o processo.

A medida provocou reação porque a discussão passou a envolver também conteúdos de natureza política e crítica.

DISPUTA ENTRE MINISTROS

O caso ganhou uma dimensão ainda maior depois que decisões diferentes foram tomadas por ministros do TSE e do Supremo Tribunal Federal (STF).

No domingo (27), o ministro Flávio Dino, do STF, suspendeu os efeitos da decisão de Mendonça após um pedido apresentado por Antonio Tabet.

Dino entendeu que havia uma questão relacionada à liberdade de expressão.

Posteriormente, o ministro Luiz Fux derrubou a decisão de Dino e restabeleceu os efeitos da determinação de Mendonça.

A sequência de decisões criou uma disputa jurídica entre ministros das duas Cortes.

O presidente do STF, Edson Fachin, chegou a considerar a possibilidade de colocar o assunto em julgamento no Supremo.

A decisão acabou sendo adiada.

Com isso, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, marcou o julgamento virtual para que o próprio tribunal eleitoral analisasse a decisão de Mendonça.

A intenção foi levar a questão para uma decisão colegiada.

VOTOS DIVIDEM A CORTE

André Mendonça foi o primeiro ministro a apresentar voto e defendeu a manutenção da determinação.

Na avaliação apresentada no julgamento, a medida não configuraria censura prévia porque não impediria novas manifestações políticas e religiosas, mas apenas determinaria a retirada de conteúdos considerados falsos.

O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, acompanhou o relator.

O ministro Dias Toffoli também votou pela manutenção da decisão.

O placar chegou então a três votos pela continuidade da retirada das publicações.

A primeira divergência parcial foi apresentada pelo ministro Ricardo Villas Bôas Cueva.

Cueva concordou que conteúdos que afirmassem como fato que Flávio Bolsonaro pretendia retirar o título de Padroeira do Brasil poderiam ser removidos.

O ministro, porém, entendeu que uma publicação específica feita por Antonio Tabet deveria receber tratamento diferente.

Na avaliação de Cueva, a postagem do humorista poderia ser enquadrada como crítica política ou juízo de valor, e não necessariamente como afirmação factual sobre um projeto de lei.

A divergência introduziu uma questão importante no julgamento: até onde uma ordem judicial pode alcançar conteúdos que misturam crítica política, sátira e informação falsa?

LIBERDADE DE EXPRESSÃO É UM DOS PONTOS CENTRAIS

O julgamento não trata apenas da publicação envolvendo Nossa Senhora Aparecida.

A decisão poderá influenciar a forma como a Justiça Eleitoral e as plataformas digitais lidam com conteúdos semelhantes durante a campanha de 2026.

De um lado, a Justiça Eleitoral precisa enfrentar a circulação de informações falsas que podem influenciar o eleitorado.

De outro, decisões de remoção precisam estabelecer limites claros para evitar que críticas políticas legítimas sejam confundidas com desinformação.

Essa distinção se tornou uma das partes mais importantes do processo.

Uma publicação pode conter uma opinião, uma ironia, uma crítica ou uma acusação factual.

Cada uma dessas situações pode receber tratamento jurídico diferente.

No caso analisado pelo TSE, a Corte precisa definir se a ordem de remoção deve alcançar somente afirmações factuais falsas ou também publicações que reproduzam críticas e interpretações relacionadas ao assunto.

TEMA GANHOU FORÇA DURANTE A CAMPANHA

A discussão ocorre em plena campanha eleitoral de 2026.

Por isso, o conteúdo relacionado a Nossa Senhora Aparecida ganhou uma dimensão política maior.

Flávio Bolsonaro é candidato à Presidência da República e alegou que as informações que o associavam a uma suposta retirada do título religioso eram falsas.

A campanha buscou a Justiça Eleitoral para impedir a circulação do conteúdo.

A discussão também envolveu manifestações de outros políticos e influenciadores.

Ao mesmo tempo, o tema religioso passou a ser utilizado em diferentes debates nas redes sociais.

O TSE precisa, portanto, analisar o caso considerando tanto a legislação eleitoral quanto as regras aplicáveis à liberdade de expressão.

O QUE AINDA FALTA

O julgamento ainda não havia sido encerrado na última atualização.

Os demais ministros do TSE precisam apresentar seus votos dentro do prazo previsto para a sessão virtual.

Até que o julgamento seja concluído, o placar permanece sujeito a alterações.

Também pode haver divergências quanto ao alcance da decisão.

Uma eventual maioria pela manutenção da ordem poderá confirmar a retirada dos conteúdos nos termos definidos por Mendonça.

Já uma mudança no entendimento poderá modificar a abrangência da determinação.

Além da decisão sobre as publicações, o caso poderá produzir efeitos para futuras disputas eleitorais envolvendo conteúdos digitais.

A questão central será definir como a Justiça Eleitoral deve agir diante de informações falsas sem impedir manifestações políticas legítimas.

O episódio também mostra como as redes sociais se tornaram um dos principais campos de disputa durante a campanha.

Com a proximidade do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro, decisões sobre conteúdo eleitoral tendem a ganhar ainda mais importância.

Por enquanto, o julgamento permanece em andamento.

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