LULA PUXOU O PT! Voto casado com Jerônimo ganha força e marca vitória petista na Bahia
A força eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a pesar na disputa pelo Governo da Bahia nas eleições de 2026. No primeiro turno, Lula alcançou 66,17% dos votos válidos no estado, enquanto o governador Jerônimo Rodrigues (PT) foi reeleito com 55,80%, segundo os dados finais da apuração.
O resultado reforça a estratégia adotada pelo PT baiano durante a campanha: aproximar a imagem de Lula da candidatura de Jerônimo e estimular o chamado voto casado, no qual o eleitor escolhe candidatos do mesmo campo político para a Presidência e o governo estadual.
A associação entre as duas candidaturas esteve presente nos discursos, peças de campanha e eventos realizados ao longo da disputa. Ao mesmo tempo, a campanha de Jerônimo procurou relacionar o adversário ACM Neto (União Brasil) ao campo político ligado ao bolsonarismo.
LULA TEVE UMA DAS MAIORES VOTAÇÕES DO PAÍS NA BAHIA
A votação de Lula na Bahia foi expressiva. O presidente recebeu mais de 5,6 milhões de votos no estado e terminou a primeira etapa da eleição muito à frente de Flávio Bolsonaro (PL), que ficou com 28,54%, conforme os dados do Tribunal Superior Eleitoral.
A diferença entre os dois candidatos à Presidência ultrapassou 37 pontos percentuais.
O desempenho de Lula ajudou a estabelecer um ambiente eleitoral favorável ao PT no estado, onde o partido mantém uma longa sequência de vitórias na disputa pelo governo estadual.
Jerônimo, por sua vez, terminou a eleição com 55,80% dos votos válidos, contra 43,73% de ACM Neto, resultado que garantiu sua reeleição.
ESTRATÉGIA FOI APOSTAR NA PROXIMIDADE ENTRE LULA E JERÔNIMO
A campanha petista trabalhou para apresentar Lula e Jerônimo como parte de um mesmo projeto político.
Essa estratégia ganhou ainda mais força com a presença do presidente em Salvador durante a campanha. Lula participou de atos ao lado do governador e de outras lideranças petistas, reforçando publicamente a candidatura à reeleição.
Antes da votação, a imprensa já registrava a preocupação do PT com o crescimento do chamado “voto LuNeto”, movimento de eleitores que pretendiam votar em Lula para presidente e em ACM Neto para governador.
A estratégia petista buscava justamente evitar essa divisão do eleitorado e convencer os eleitores de Lula a também escolher Jerônimo.
O resultado final mostra que o voto casado teve forte presença no estado, embora os números das duas disputas não sejam idênticos.
ACM NETO TEVE DESEMPENHO INFERIOR AO DE LULA
Um dos dados que ajudam a explicar a dinâmica da eleição é a diferença entre a votação de Lula e a de Jerônimo.
Enquanto o presidente alcançou 66,17% dos votos válidos, Jerônimo chegou a 55,80%. A diferença é de aproximadamente 10,4 pontos percentuais.
Do outro lado, ACM Neto recebeu 43,73% na disputa pelo governo, enquanto Flávio Bolsonaro terminou com 28,54% na eleição presidencial dentro da Bahia.
Isso mostra que parte dos eleitores baianos não reproduziu exatamente a escolha presidencial na disputa estadual.
A existência desse eleitorado foi um dos elementos que alimentaram, durante a campanha, a discussão sobre a possibilidade de uma combinação entre votos em candidatos de diferentes grupos políticos.
JOÃO SANTANA É ALVO DE CRÍTICAS APÓS RESULTADO
Após a derrota de ACM Neto, também surgiram avaliações críticas sobre a estratégia adotada pela oposição durante a campanha.
O marqueteiro João Santana, responsável pela estratégia de comunicação de ACM Neto, passou a ser citado nas análises sobre os caminhos escolhidos pela campanha.
Entre as críticas está a avaliação de que a oposição não teria conseguido construir uma resposta suficientemente forte à associação feita pelo PT entre ACM Neto e o campo político de direita.
Também houve questionamentos sobre a decisão de evitar uma confrontação direta com Lula, que mantém uma votação expressiva na Bahia.
Essas avaliações, entretanto, fazem parte da análise política sobre o resultado e não representam uma conclusão oficial sobre as causas da derrota.
ELEIÇÃO ESTADUAL NÃO REPETIU EXATAMENTE O VOTO PRESIDENCIAL
Apesar da forte votação de Lula, os resultados mostram que a eleição para governador teve uma dinâmica própria.
O presidente alcançou 66,17% dos votos válidos, enquanto Jerônimo ficou em 55,80%. Já ACM Neto obteve 43,73%, percentual superior ao desempenho de Flávio Bolsonaro na Bahia.
Os números indicam que houve transferência significativa de votos entre as duas disputas, mas também mostram que uma parcela do eleitorado fez escolhas diferentes para presidente e governador.
Esse comportamento é importante para compreender a eleição baiana de 2026, marcada por uma forte polarização nacional, mas também por fatores locais.
PT MANTÉM HEGEMONIA NO GOVERNO DA BAHIA
Com a reeleição de Jerônimo, o PT mantém o comando do Governo da Bahia e amplia uma sequência iniciada em 2007.
O resultado consolida a força do partido no estado e mantém a aliança entre o governo estadual e o grupo político liderado nacionalmente por Lula.
Jerônimo assumirá um novo mandato após vencer ACM Neto com uma diferença superior a 12 pontos percentuais nos votos válidos.
A eleição também reforça o peso de Lula na política baiana. O desempenho presidencial do petista foi consideravelmente superior ao resultado obtido pelo candidato do partido ao governo, mas a votação de Jerônimo permaneceu suficiente para garantir a vitória ainda no primeiro turno.
RESULTADO REABRE DEBATE SOBRE A ESTRATÉGIA DA OPOSIÇÃO
A vitória petista deverá alimentar novas discussões sobre a estratégia da oposição na Bahia.
Uma das questões centrais será entender como ACM Neto conseguiu manter uma votação acima dos 40% mesmo diante da ampla vantagem de Lula no estado, mas não conseguiu transformar esse desempenho em uma vitória para o governo.
Também deverá ser analisado o peso da campanha nacional, da associação entre os candidatos e das características específicas do eleitorado baiano.
O resultado de 2026 mostra que a disputa estadual esteve fortemente conectada ao cenário nacional, mas não foi uma simples repetição da eleição presidencial.
Com Lula ultrapassando 66% e Jerônimo chegando a quase 56%, o PT encerrou o primeiro turno com duas vitórias importantes na Bahia e confirmou novamente a força da legenda no estado.
Comentários e participação
Quer comentar, sugerir pauta ou pedir correção? Envie mensagem para a redação. Inclua o link da matéria e sua opinião — respondemos pelo e-mail informado.