MULHERES NO CONGRESSO! Eleições de 2026 ampliam bancada feminina, mas representação ainda é baixaMULHERES NO CONGRESSO! Eleições de 2026 ampliam bancada feminina, mas representação ainda é baixa
As eleições de 2026 estabeleceram um novo recorde de representação feminina no Congresso Nacional. A partir da próxima legislatura, a Câmara dos Deputados terá 109 mulheres eleitas, enquanto o Senado Federal deverá contar com 18 senadoras.
Na Câmara, o número representa um crescimento de 90 para 109 deputadas, aumento de 21,1% em relação à atual legislatura. As novas parlamentares tomarão posse em fevereiro de 2027.
No Senado, 12 mulheres foram eleitas neste ano entre as 54 vagas que estavam em disputa. É o maior número de mulheres eleitas para a Casa em um mesmo pleito desde a redemocratização. Com as parlamentares que permanecerão no cargo, a bancada feminina deverá chegar a 18 integrantes.
Apesar do avanço, as mulheres continuarão sendo minoria nas duas Casas. Na Câmara, as 109 deputadas representarão cerca de 21% das 513 cadeiras. No Senado, as 18 mulheres corresponderão a 22,2% das 81 vagas.
MAIS MULHERES, MESMO COM MENOS CANDIDATAS
O crescimento da bancada feminina na Câmara chama atenção porque ocorreu mesmo com uma redução no número de mulheres que disputaram uma vaga.
Em 2022, 3.317 mulheres concorreram ao cargo de deputada federal. Em 2026, foram 2.820 candidatas, segundo os dados apresentados após a eleição.
Mesmo com aproximadamente 500 candidaturas femininas a menos, o número de mulheres efetivamente eleitas aumentou em 19 cadeiras.
Das 109 deputadas que formarão a próxima bancada feminina, 59 foram reeleitas, enquanto as demais conquistarão uma cadeira pela primeira vez ou retornarão à Câmara.
A mudança altera a composição da Casa, mas não elimina a diferença entre homens e mulheres. Para a legislatura que começa em 2027, serão 404 homens e 109 mulheres entre os 513 deputados federais eleitos.
SENADO TEM RECORDE DE MULHERES ELEITAS
No Senado, o resultado também representa um marco.
As eleições deste ano colocaram 12 mulheres entre as 54 pessoas eleitas para a renovação de dois terços da Casa. Até então, o recorde de mulheres eleitas em um único pleito era de oito, registrado em 2002. Em 2018, quando também houve renovação de dois terços do Senado, sete mulheres foram eleitas.
Com a nova composição, a bancada feminina deverá passar das atuais 15 para 18 senadoras em 2027, considerando também as suplentes que estarão no exercício do mandato.
As novas senadoras assumirão os cargos em fevereiro de 2027 e terão mandatos até 2035.
Entre as eleitas estão Mara Rocha, Marina JHC, Rayssa Furlan, Luizianne, Michelle Bolsonaro, Bia Kicis, Gracinha Caiado, Marília Campos, Marília Arraes, Samanda de Lula, Teresa Surita e Carol de Toni.
DISTRITO FEDERAL FAZ HISTÓRIA
O Distrito Federal também estabeleceu um resultado inédito.
Pela primeira vez, a unidade da Federação elegeu duas mulheres para o Senado na mesma eleição. Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, ambas do PL, conquistaram as duas vagas que estavam em disputa.
Com uma representante que já possui mandato, o Distrito Federal deverá chegar a três senadoras mulheres na próxima composição da Casa.
O resultado mostra como a renovação de 2026 modificou a presença feminina em diferentes regiões do país.
FEDERAÇÃO DO PT, PCdoB E PV ELEGE MAIS MULHERES NA CÂMARA
Na Câmara dos Deputados, a federação formada por PT, PCdoB e PV foi a que elegeu o maior número de mulheres.
O grupo conquistou 34 das 109 cadeiras femininas, equivalente a 31,2% da bancada de mulheres da próxima legislatura.
A distribuição, entretanto, varia bastante de acordo com o estado.
Em São Paulo, por exemplo, a federação Psol-Rede elegeu cinco deputadas. No Rio de Janeiro, o PL foi responsável pela eleição de cinco mulheres, metade da bancada feminina do estado.
São Paulo terá a maior quantidade de deputadas, com 16 mulheres, seguido por Minas Gerais, com 11, e Rio de Janeiro, com 10.
Na Bahia, Pernambuco e Santa Catarina, foram eleitas seis deputadas federais mulheres em cada estado.
REPRESENTAÇÃO AINDA ESTÁ LONGE DA EQUIDADE
Apesar do crescimento, os números mostram que a presença feminina no Congresso continua muito abaixo da proporção de mulheres na população brasileira.
Na Câmara, elas ocuparão aproximadamente um quinto das cadeiras. No Senado, pouco mais de um quinto.
O aumento numérico, portanto, representa um avanço na representação, mas não significa que homens e mulheres tenham alcançado uma participação equivalente no Legislativo.
A discussão também envolve o tipo de política que será defendida pelas parlamentares.
A professora de Ciência Política da Universidade de Brasília Flávia Biroli avalia que o aumento da presença feminina não significa automaticamente um crescimento de políticas voltadas à igualdade de gênero.
Segundo a pesquisadora, mulheres eleitas podem apresentar diferentes posições políticas, econômicas e sociais. Dessa forma, a presença de mais mulheres no Parlamento amplia a diversidade de representação, mas não garante que todas defendam as mesmas pautas relacionadas aos direitos das mulheres.
MULHERES NEGRAS AVANÇAM NA CÂMARA
Outro destaque das eleições de 2026 foi o crescimento da presença de mulheres negras na Câmara dos Deputados.
Um levantamento realizado pela organização Mulheres Negras Decidem contabilizou pelo menos 15 mulheres negras eleitas para deputada federal neste ano.
Em 2022, haviam sido eleitas nove mulheres negras para a Câmara. O resultado representa um crescimento de aproximadamente 66,6%.
A coordenadora política da organização, Tainah Pereira, destacou a presença de mulheres jovens entre as novas eleitas e classificou o resultado como uma renovação da representação feminina e negra no Legislativo.
O avanço, porém, não se repetiu no Senado.
NENHUMA MULHER NEGRA FOI ELEITA PARA O SENADO
Das 12 mulheres eleitas para o Senado em 2026, nenhuma é negra, segundo o levantamento apresentado pela Agência Brasil.
O resultado representa uma perda de representação racial na Casa.
A senadora Eliziane Gama (PT), do Maranhão, que se autodeclara negra, não conseguiu a reeleição. Ela ocupa atualmente uma das cadeiras do Senado, mas deixará o cargo ao fim do mandato.
Outras candidatas negras também disputaram vagas, mas não conseguiram se eleger.
Entre elas estava Marina Silva, que concorreu pelo estado de São Paulo. Ela já havia exercido dois mandatos como senadora pelo Acre, entre 1995 e 2011.
Também disputou uma vaga pelo Rio de Janeiro a deputada Benedita da Silva (PT), que fez história ao se tornar, em 1998, a primeira mulher negra eleita para o Senado.
Com a saída das atuais representantes negras, a próxima composição da Casa não terá nenhuma mulher negra entre as senadoras eleitas neste pleito.
RECORDE NÃO SIGNIFICA IGUALDADE
O resultado das eleições de 2026 representa um avanço histórico em termos de quantidade.
A Câmara terá 19 mulheres a mais do que na legislatura atual, enquanto o Senado elegerá o maior número de mulheres em um único pleito desde a redemocratização.
Ao mesmo tempo, os números revelam que a participação feminina ainda está distante da igualdade de representação.
O desafio da próxima legislatura será não apenas manter o crescimento da presença feminina, mas também ampliar a diversidade dentro da própria bancada, incluindo diferentes regiões, grupos sociais e perfis políticos.
A nova composição do Congresso começa a tomar forma em fevereiro de 2027, quando as parlamentares eleitas assumirão seus mandatos e passarão a participar das votações, comissões e decisões que definirão parte importante da agenda política do país nos próximos quatro anos.
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