“ARREGAÇAR VAGABUNDO”! Flávio Bolsonaro promete endurecer combate às facções ao lado de Caiado
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta terça-feira (6), em Goiânia, que pretende adotar uma política de maior endurecimento contra organizações criminosas caso seja eleito. Durante o evento em que recebeu o apoio do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) para o segundo turno, o senador declarou: “A gente vai arregaçar com vagabundo”.
A declaração ocorreu enquanto Flávio apresentava propostas para a área de segurança pública e citava os estados de Goiás e São Paulo como referências para uma eventual política nacional de combate ao crime organizado.
Segundo o candidato, Caiado entregou a ele um conjunto de compromissos e propostas para um eventual governo. Flávio afirmou que existe ampla convergência entre os dois e disse concordar com praticamente todo o conteúdo apresentado pelo ex-governador.
CAIADO DECLARA APOIO A FLÁVIO
O evento marcou oficialmente a adesão de Ronaldo Caiado à campanha de Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
Caiado terminou o primeiro turno em quinto lugar, com aproximadamente 2,6 milhões de votos, equivalentes a 2,18% dos votos válidos. Flávio avançou para a segunda etapa da disputa com 47,03%, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve 45,16%.
O segundo turno está marcado para 25 de outubro.
O apoio de Caiado ocorreu apesar das críticas feitas pelo ex-governador a Flávio durante o primeiro turno. A decisão também ocorreu depois de o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, anunciar que o partido não adotaria uma posição nacional na segunda etapa, liberando filiados e diretórios para escolherem entre os candidatos.
PÚBLICO PEDE CAIADO COMO MINISTRO
Durante o ato em Goiânia, apoiadores presentes começaram a gritar “ministro” quando o nome de Ronaldo Caiado foi mencionado.
Flávio não anunciou Caiado formalmente para nenhum cargo. O candidato, porém, não descartou a possibilidade de contar com o ex-governador em seu eventual governo e destacou a convergência entre os dois principalmente na área de segurança pública.
O governador eleito de Goiás, Daniel Vilela (MDB), também participou do evento. De acordo com relatos da imprensa, Vilela afirmou que o grupo político não trabalha com a lógica de trocar apoio por cargos.
MAIS DE 500 MIL VAGAS EM PRESÍDIOS
Além da declaração sobre o combate às facções, Flávio apresentou outras propostas relacionadas à segurança.
O candidato afirmou que pretende criar mais de 500 mil vagas no sistema prisional e aumentar as penas para chefes de organizações criminosas.
Ele também defendeu que grupos como PCC e Comando Vermelho sejam classificados como organizações terroristas. A proposta foi apresentada como parte de seu programa de campanha e dependeria de mudanças legislativas para ser implementada.
Flávio também mencionou propostas como a redução da maioridade penal e o endurecimento das punições para crimes graves, incluindo aqueles cometidos contra mulheres e crianças. Entre as medidas citadas está ainda a defesa da chamada castração química para agressores sexuais.
Essas medidas são propostas de campanha e não representam mudanças na legislação atualmente em vigor.
GOIÁS E SÃO PAULO COMO REFERÊNCIAS
Ao justificar sua proposta para a segurança pública, Flávio afirmou que pretende observar as políticas adotadas em Goiás e São Paulo.
O candidato citou especificamente a experiência de Caiado no governo goiano e disse que pretende utilizar medidas consideradas exitosas nesses estados como referência para uma política nacional.
A aproximação com Caiado ganhou, portanto, uma dimensão programática além do apoio eleitoral. O ex-governador apresentou uma lista de compromissos e propostas que, segundo Flávio, possuem forte convergência com suas próprias ideias.
ALIANÇA MUDA CENÁRIO DO SEGUNDO TURNO
O apoio de Caiado é mais um movimento de composição política após o resultado do primeiro turno.
Além do ex-governador de Goiás, Flávio já recebeu manifestações de apoio de outros nomes que participaram da primeira etapa da eleição, incluindo o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo).
O evento em Goiânia reuniu ainda outras lideranças políticas, entre elas o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o governador eleito de Goiás, Daniel Vilela.
A nova configuração coloca a segurança pública entre os principais temas utilizados pela campanha de Flávio para tentar consolidar o apoio de setores do eleitorado que se identificam com uma política mais rígida de combate ao crime organizado.
Ao mesmo tempo, as propostas apresentadas pelo candidato deverão passar pelo debate político e legislativo caso ele seja eleito, já que medidas como alteração da maioridade penal, mudanças nas penas e classificação de organizações criminosas dependem de alterações legais.
DISCURSO DE ENDURECIMENTO
A frase utilizada por Flávio ao lado de Caiado sintetizou o tom adotado pelo candidato durante o evento. Ao falar sobre sua eventual política de segurança, o senador associou a experiência de Goiás e São Paulo a uma estratégia de maior repressão às organizações criminosas.
O discurso também reforçou propostas de ampliação do sistema prisional, aumento de penas e mudanças na legislação penal.
Já Caiado apresentou seu apoio como uma decisão política baseada na convergência de ideias e afirmou que pretende atuar para fortalecer a candidatura de Flávio em Goiás. Segundo o ex-governador, o estado possui 243 prefeituras que estarão ao lado do candidato do PL.
A disputa presidencial agora entra na fase de formação das alianças para o segundo turno. Flávio Bolsonaro e Lula voltarão às urnas em 25 de outubro, em uma eleição que será decidida pelos votos válidos da segunda etapa.
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