PROCURADORA QUE ENCAMINHOU NOTÍCIA-CRIME CONTRA BRUNO REIS TAMBÉM ATUOU EM PARECER SOBRE COMPRA DE RESPIRADORES
A procuradora-chefe do Estado da Bahia, Barbara Camardelli, está no centro de uma discussão que envolve dois episódios distintos da administração pública estadual. A representante da Procuradoria-Geral do Estado (PGE) encaminhou ao Ministério Público Federal (MPF) uma notícia-crime contra o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), por possíveis irregularidades eleitorais. Anos antes, durante a pandemia da Covid-19, a PGE também se manifestou sobre a contratação de respiradores pulmonares pelo Consórcio Nordeste, no período em que Rui Costa (PT) governava a Bahia e presidia o colegiado.
O caso dos respiradores envolve a compra de 300 equipamentos por aproximadamente R$ 48,7 milhões, por meio de contrato com a empresa Hempcare Pharma Representações Ltda. Os aparelhos não foram entregues, e a negociação passou a ser investigada pelas autoridades no âmbito da Operação Ragnarok.
A relação entre os dois episódios ganhou destaque após a divulgação de que Camardelli participou, em momentos diferentes, de procedimentos relacionados a questões de grande repercussão política e administrativa no estado.
COMPRA DE RESPIRADORES FOI REALIZADA EM 2020
A contratação dos 300 respiradores ocorreu em abril de 2020, em um cenário de emergência sanitária provocado pela pandemia. O pagamento antecipado à Hempcare foi de R$ 48.748.575,82, mas os equipamentos não foram entregues, conforme registros oficiais e documentos de fiscalização.
O relatório do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA) e manifestações posteriores apontaram problemas na contratação, especialmente em relação ao pagamento antecipado e à ausência de garantias suficientes para proteger os recursos públicos. <Cite refs={["turn969674search13","turn969674search12"]}/>
A Procuradoria-Geral do Estado havia elaborado o Parecer RJOTF nº 10/2020 sobre a minuta do contrato. Segundo análise posterior do Ministério Público de Contas, a manifestação da PGE mencionou a necessidade de cautelas ou garantias para operações com pagamento antecipado. O contrato, porém, não teria assegurado proteção suficiente para cobrir o valor antecipado em caso de descumprimento pela empresa. <Cite refs={["turn969674search12"]}/>
Esse ponto é importante para compreender o episódio: a existência de um parecer jurídico não significa, necessariamente, aprovação irrestrita de todas as condições adotadas na contratação.
EQUIPAMENTOS NÃO FORAM ENTREGUES
A negociação com a Hempcare foi alvo da Operação Ragnarok, deflagrada para investigar suspeitas de irregularidades na compra dos equipamentos. A empresa recebeu antecipadamente os recursos, mas não cumpriu a entrega prevista no contrato.
O caso provocou questionamentos sobre a escolha da fornecedora, os procedimentos adotados e a proteção do dinheiro público durante a emergência sanitária. Documentos de fiscalização do TCE-BA registraram problemas relacionados à aquisição e à falta de garantias adequadas para o pagamento antecipado. <Cite refs={["turn969674search7","turn969674search12"]}/>
O episódio também teve repercussão nacional por envolver recursos destinados ao enfrentamento da pandemia e uma compra realizada em nome dos estados integrantes do Consórcio Nordeste.
NOTÍCIA-CRIME CONTRA BRUNO REIS
Já na quarta-feira (28 de outubro de 2026), Barbara Camardelli encaminhou ao MPF uma notícia-crime apontando possíveis irregularidades eleitorais atribuídas ao prefeito Bruno Reis durante o segundo turno da eleição presidencial.
O episódio está relacionado à paralisação de ônibus em Salvador no domingo (25). Segundo a gestão municipal, o atraso ocorreu após um adesivaço realizado pelo Sindicato dos Rodoviários nos veículos, o que teria exigido a retirada do material.
Na ocasião, o Procon-BA informou que 944 ônibus ficaram parados em nove garagens da capital baiana. A situação passou a integrar o debate sobre possíveis impactos no transporte público durante o processo eleitoral.
É necessário destacar que o encaminhamento de uma notícia-crime representa uma comunicação de fatos que podem ser investigados. Não significa que o prefeito tenha cometido crime ou que as suspeitas tenham sido comprovadas. A apuração cabe aos órgãos competentes.
DOIS EPISÓDIOS, CONTEXTOS DIFERENTES
A atuação da procuradora nos dois casos colocou seu nome em evidência. De um lado, está a manifestação da PGE relacionada à contratação dos respiradores durante o governo Rui Costa. De outro, a notícia-crime encaminhada ao MPF envolvendo a administração de Bruno Reis.
Embora os episódios tenham repercussão política, eles possuem naturezas e circunstâncias distintas. A análise sobre a atuação de Barbara Camardelli no caso dos respiradores exige considerar o conteúdo efetivo do parecer jurídico e as conclusões posteriores dos órgãos de controle, sem confundir manifestação técnica com responsabilidade pela execução do contrato.
O caso dos respiradores permanece como um dos episódios de maior repercussão envolvendo compras públicas durante a pandemia na Bahia. Já a notícia-crime contra Bruno Reis depende de análise e eventual apuração pelas autoridades competentes.
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