DIA MUNDIAL DO AVC: CAMPANHA ALERTA QUE CADA MINUTO CONTA PARA SALVAR VIDAS E REDUZIR SEQUELAS
O Dia Mundial do Acidente Vascular Cerebral (AVC), celebrado nesta quinta-feira, 29 de outubro, chama a atenção para a importância do atendimento rápido e da prevenção da doença. Em 2025, o AVC provocou 89.490 mortes no Brasil, uma média aproximada de 245 óbitos por dia, segundo dados do Portal da Transparência do Registro Civil divulgados pela Sociedade Brasileira de AVC (SBAVC).
Na Bahia, cerca de 2.700 pessoas morreram em decorrência da doença até 24 de outubro de 2025, conforme levantamento da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab). Os números reforçam a necessidade de ampliar a conscientização sobre os sinais de alerta, os fatores de risco e a importância de procurar atendimento médico sem demora.
Em 2026, a campanha internacional promovida pela World Stroke Organization (WSO) traz a mensagem “Cada minuto conta”. A mobilização destaca três pilares: prevenir, reconhecer e recomeçar. A proposta é informar a população sobre como reduzir o risco de ocorrência do AVC, identificar os sintomas e oferecer condições adequadas de recuperação às pessoas que sobrevivem à doença.
POR QUE O ATENDIMENTO PRECISA SER RÁPIDO?
O AVC acontece quando o fluxo de sangue para uma região do cérebro é interrompido por uma obstrução de um vaso sanguíneo ou quando ocorre o rompimento de um vaso, provocando sangramento. No primeiro caso, é chamado de AVC isquêmico; no segundo, de AVC hemorrágico.
Segundo o Ministério da Saúde, aproximadamente 85% dos casos são do tipo isquêmico. Em ambas as situações, o atendimento imediato é fundamental para reduzir os danos ao cérebro.
“O AVC é uma emergência médica em que cada minuto pode representar a perda de milhões de neurônios. Quanto mais cedo conseguimos restabelecer a circulação sanguínea no cérebro, maiores são as chances de preservar funções como a fala, os movimentos e a memória”, explica o neurologista Jamary Oliveira Filho, coordenador da UTI Neurológica e do Centro de Pesquisa Clínica do Hospital Mater Dei Salvador (HMDS).
A rapidez no atendimento pode influenciar diretamente as possibilidades de tratamento e recuperação. Por isso, reconhecer os sintomas e acionar o serviço de emergência é uma medida fundamental.
COMO IDENTIFICAR OS SINAIS DE UM AVC?
Os sintomas podem surgir de maneira repentina e variar de acordo com a região do cérebro afetada. Entre os principais sinais de alerta estão:
- Fraqueza ou dormência repentina em um lado do corpo;
- Boca torta ou assimetria no rosto;
- Dificuldade para falar ou compreender o que outras pessoas dizem;
- Perda súbita da visão;
- Desequilíbrio e dificuldade para caminhar;
- Dor de cabeça intensa e inesperada.
Ao perceber qualquer um desses sintomas, a orientação é acionar imediatamente o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo telefone 192. Mesmo que os sinais desapareçam depois de alguns minutos, a pessoa precisa de avaliação médica.
O neurologista Jamary Oliveira Filho recomenda um teste simples para ajudar a reconhecer possíveis sinais da doença. A pessoa deve ser orientada a sorrir, levantar os dois braços e repetir uma frase. Se houver dificuldade em realizar alguma dessas ações, é necessário procurar socorro imediatamente.
“Uma forma simples de reconhecer o AVC é pedir que a pessoa sorria, levante os dois braços e repita uma frase. Se houver assimetria facial, perda de força ou alteração da fala, é preciso procurar socorro imediatamente. Não se deve esperar para ver se melhora”, orienta o especialista.
TRATAMENTOS PODEM DIMINUIR AS SEQUELAS
Após a chegada ao hospital, a equipe médica realiza uma avaliação neurológica e pode solicitar exames de imagem, como tomografia ou ressonância magnética. Esses procedimentos ajudam a identificar o tipo de AVC e definir a estratégia de tratamento mais adequada.
Nos casos de AVC isquêmico, pacientes que atendem aos critérios clínicos podem receber medicamentos trombolíticos, utilizados para dissolver o coágulo que impede a circulação sanguínea. Em geral, esse tratamento pode ser realizado até 4,5 horas após o início dos sintomas, desde que não existam contraindicações.
Em situações específicas, também pode ser indicada a trombectomia mecânica, procedimento realizado por meio de um cateter para retirar o coágulo que bloqueia o vaso sanguíneo. A técnica pode ser utilizada em uma janela de tempo mais prolongada em pacientes selecionados, conforme critérios clínicos e exames de imagem.
“Hoje dispomos de tratamentos capazes de modificar significativamente o prognóstico do AVC. Mas essas terapias dependem de uma estrutura hospitalar preparada, protocolos bem definidos e atendimento rápido. O tempo perdido antes da chegada ao hospital pode comprometer oportunidades de recuperação”, ressalta Jamary.
PREVENÇÃO COMEÇA COM CUIDADOS DIÁRIOS
Além do socorro rápido, a campanha do Dia Mundial do AVC destaca a importância de controlar os fatores que aumentam o risco da doença. A hipertensão arterial é um dos principais fatores modificáveis e exige acompanhamento regular, mesmo quando não provoca sintomas perceptíveis.
Diabetes, colesterol elevado, tabagismo, sedentarismo, obesidade e alterações do ritmo cardíaco, como a fibrilação atrial, também podem elevar o risco de AVC.
A prevenção envolve manter a pressão arterial controlada, acompanhar os níveis de glicose e colesterol, evitar o cigarro, praticar atividades físicas e adotar uma alimentação equilibrada. Consultas e avaliações médicas ajudam a identificar problemas que podem passar despercebidos no cotidiano.
“Prevenir o AVC significa cuidar da saúde cardiovascular continuamente. Muitas pessoas convivem com pressão alta sem apresentar sintomas. Diagnosticar e tratar esses fatores de risco é uma das medidas mais importantes para evitar uma doença que pode deixar consequências permanentes”, destaca o neurologista.
REABILITAÇÃO É PARTE IMPORTANTE DA RECUPERAÇÃO
A mensagem da campanha de 2026 também chama atenção para a vida depois do AVC. Sobreviver à doença é apenas uma etapa do processo, já que alguns pacientes podem apresentar dificuldades motoras, alterações na fala, problemas de memória e limitações para realizar atividades cotidianas.
Nesses casos, a reabilitação pode envolver fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e acompanhamento psicológico. O tratamento deve ser individualizado, considerando as necessidades e as condições clínicas de cada pessoa, com início definido pela equipe de saúde.
O objetivo é recuperar, sempre que possível, a autonomia e a qualidade de vida dos pacientes, além de oferecer suporte às famílias durante o processo.
Neste 29 de outubro, o alerta é para que a população conheça os sintomas, não ignore sinais repentinos e procure atendimento de emergência diante de qualquer suspeita. A prevenção e a rapidez no socorro podem fazer diferença na vida de quem enfrenta um AVC.
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