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Nepal e Tibete buscam mais de 1,3 mil desaparecidos após avalanche e enchentes; mortes chegam a 332
Desastre atingiu áreas próximas à fronteira entre Nepal e China, deixou centenas de estrangeiros desaparecidos e provocou graves danos à infraestrutura
O número de mortos após as enchentes e deslizamentos que atingiram áreas turísticas próximas à fronteira entre o Nepal e o Tibete, na China, chegou a 332, segundo os dados divulgados pelas autoridades. Mais de 1.300 pessoas estão desaparecidas, enquanto equipes de resgate continuam as buscas nas regiões atingidas.
No Nepal, pelo menos 270 corpos foram recuperados em diferentes distritos, incluindo Rasuwa, Nuwakot, Dhading, Chitwan, Gorkha e Tanahun. As autoridades trabalham para localizar outras vítimas, e o número de mortos pode aumentar conforme as equipes avancem pelas áreas atingidas.
Entre os 826 desaparecidos no Nepal, quase 500 seriam estrangeiros. Há cidadãos de mais de 20 países entre os desaparecidos, incluindo 177 indianos, 63 norte-americanos, 34 australianos, 33 britânicos e 25 canadenses.
Na Malásia, o governo informou que 55 cidadãos estavam incomunicáveis, mas ainda não havia confirmação oficial de que algum deles estivesse entre as vítimas.
China registra centenas de desaparecidos
Do outro lado da fronteira, o número de desaparecidos no condado de Gyirong, no Tibete, chegou a 558, segundo informações divulgadas pela emissora estatal chinesa CCTV. Entre eles, 260 seriam estrangeiros.
A China informou, até o momento, três mortes na região. Um deslizamento atingiu o porto de Gyirong e provocou danos em estradas, sistemas de comunicação e estruturas de fornecimento de energia.
O presidente chinês, Xi Jinping, determinou o reforço das operações de busca e resgate e pediu a intensificação dos sistemas de monitoramento e alerta para reduzir os riscos de novos desastres.
Colapso de geleira pode ter provocado a inundação
As primeiras informações apontavam que um terremoto poderia estar relacionado ao desastre. No entanto, o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) corrigiu posteriormente a informação e afirmou que não houve terremoto na região.
Segundo o órgão, análises de estações sísmicas, ondas sísmicas e imagens de satélite indicaram que o evento foi provocado pelo colapso de uma geleira seguido por um fluxo de detritos, causando impactos considerados catastróficos nas áreas atingidas.
Pesquisadores avaliam que um grande bloco de gelo teria se desprendido de uma geleira a cerca de 65 quilômetros ao norte de Katmandu. A estrutura teria aproximadamente 600 metros de largura e despencado de uma altitude próxima de 5.200 metros, percorrendo cerca de 1.200 metros até atingir a região do rio Bhote Koshi.
Uma das hipóteses investigadas é que a avalanche tenha bloqueado o curso do rio e provocado uma onda repentina de água e detritos em direção às áreas mais baixas.
Destruição atinge estradas e pontes
A força da água destruiu ou danificou estruturas importantes no Nepal. Pelo menos 19 pontes e 40 quilômetros de estradas foram afetados.
A inundação atingiu Syabrubesi, ponto de partida de uma das principais rotas de trekking do país, além de áreas utilizadas por peregrinos que seguem em direção a Kailash Mansarovar.
Imagens registradas após o desastre mostram casas destruídas ou parcialmente submersas, veículos arrastados pela correnteza e estruturas levadas pela força da água.
O Exército nepalês informou que pelo menos 88 pessoas foram resgatadas, enquanto 41 feridos recebem atendimento em hospitais do país. Cerca de 3.318 agentes participam das operações de busca e salvamento.
As equipes também utilizam helicópteros para procurar sobreviventes e levar suprimentos às áreas que permanecem isoladas.
Risco de uma nova enchente
Especialistas alertam para a possibilidade de uma nova cheia caso outro bloqueio ou deslocamento de gelo ocorra nas partes mais altas da região.
O especialista Qianggong Zhang, do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas (ICIMOD), afirmou que ainda existe um bloco de gelo na região do rio que pode representar risco de uma nova inundação.
O Nepal é considerado particularmente vulnerável a eventos relacionados ao derretimento e ao rompimento de lagos glaciais. O aumento das temperaturas no Himalaia tem contribuído para o recuo e a instabilidade de geleiras, segundo especialistas.
Esses fenômenos podem provocar grandes ondas de água e detritos capazes de atingir rapidamente comunidades localizadas em áreas mais baixas.
Ajuda internacional
A Cruz Vermelha destinou US$ 1,2 milhão, cerca de R$ 6,1 milhões, para ações emergenciais no Nepal. O governo dos Estados Unidos também anunciou US$ 500 mil, aproximadamente R$ 2,6 milhões, para apoiar as operações de resgate.
Enquanto os trabalhos avançam, autoridades dos dois lados da fronteira continuam tentando localizar os desaparecidos e avaliar a dimensão total dos danos provocados pela tragédia.
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